quinta-feira, 26 de novembro de 2009

HIPOTÁLAMO





O hipotálamo, também constituído por substância cinzenta, é o principal centro integrador das atividades dos órgãos viscerais, sendo um dos principais responsáveis pela homeostase corporal. Ele faz ligação entre o sistema nervoso e o sistema endócrino, atuando na ativação de diversas glândulas endócrinas. Tem por função manter a temperatura corporal, regula as emoções (especificamente, as partes laterais parecem envolvidas com o prazer e a raiva, enquanto que a porção mediana parece mais ligada à aversão, ao desprazer e à tendência ao riso), a fome, a sede, o sono e os ritmos biológicos.

Funções comportamentais:
I) Hipotálamo lateral: relaciona-se com a sede, fome e agressividade;
II) Hipotálamo ventromedial: relacionado com a saciedade da fome e da sede e tranqüilidade;
III) Região periventricular do hipotálamo: relaciona-se com a postura de medo ou de reação de punição;
IV) Hipotálamo anterior e posterior: relacionado com a atividade sexual.
• Centro de recompensa: núcleos laterais e ventromediais do hipotálamo, juntamente com a amígdala, septo, alguns gânglios da base e algumas áreas do tálamo.
• Centro de punição: substância cinzenta periquedutal e periventricular e amígdalas. O estímulo dessas áreas desencadeia no animal um comportamento de raiva.
• Punição e Recompensa X Comportamento: o efeito dos tranqüilizantes nesses centros de punição e recompensa fazem com que o indivíduo reduza sua reatividade afetiva.
• Punição e Recompensa X Memória: para que um estímulo fique certamente armazenado na memória é preciso que ele desencadeie uma reação de punição ou de recompensa. É como se fosse uma resposta reforçada para desencadear a memória.







LESÕES DO HIPOTÁLAMO
Alem das funções vegetativas e endócrinas do Hipotálamo, a estimulação ou a lesão do Hipotálamo tem muitas vezes efeitos muito intensos sobre o comportamento emocional humano.
A estimulação do núcleo ventromedial e das áreas circundantes provoca em grande parte efeitos opostos aos da estimulação da área hipotalámica lateral, isto é, sentimento de saciedade, com redução da ingestão de alimento e tranquilidade. Estimulação da zona delgada do núcleo periventricular, localizado imediatamente adjacente ao terceiro ventrículo, e também da substância cinzenta central do mesencéfalo, que é continua a essa parte do Hipotálamo, leva em geral ao medo e a reacções a punição.
A função sexual pode ser provocada pela estimulação de diversas áreas do Hipotálamo, em especial das mais anteriores e posteriores. Lesões no Hipotálamo causam, em geral, efeitos opostos. Por exemplo, lesões bilaterais do Hipotálamo lateral diminuem, quase a zero, a ingestão de água e alimento, levando muitas vezes à desnutrição, que pode conduzir até à morte. Lesões bilaterais das áreas ventromediais do Hipotálamo produzem efeitos que, na sua maioria, são opostos aos decorrentes das lesões do Hipotálamo lateral. A lesão de outras áreas do sistema límbico, em especial a amígdala, área septal e áreas do mesencéfalo causam muitas vezes efeitos semelhantes aos acima mencionados para o Hipotálamo.

REGULAÇÃO HIPÓFISE-HIPOTÁLAMO
O hipotálamo e a hipófise estão em contato direto com o cérebro através dos nervos e dos vasos sanguíneos, estabelecendo uma estreita ligação.
Apenas na década de 40 se descobriu que o hipotálamo era o responsável pela síntese e segregação de hormonas que controlam a secreção das hormonas da adeno-hipófise, em que estas vão activar a secreção de outras seis hormonas (tirotropina, adenocorticotropina, prolactina, somatotrofina, hormona luteinizante, hormona estimuladora dos folículos)através da região anterior da hipófise.
Na região posterior da hipófise encontram-se conjuntos de terminações nervosas com início no hipotálamo, segregando mais três hormonas adicionais (melantropina, hormona anti-diurética e ocitocina), hormonas estão que são transportadas para a adeno-hipófise.
A hipófise liga-se ao hipotálamo por uma haste em que, adjacente a esta, se originam os vasos portais, mais propriamente nos capilares de eminência média do hipotálamo.
As células neurossecretoras especializadas em várias partes do hipotálamo sintetizam hormonas hipotalámicas, as suas terminações nervosas tem término também nos capilares de eminência média, sendo as hormonas aí libertadas absorvidas por esses capilares e transportadas para a hipófise anterior onde estimulam ou inibem a libertação das hormonas dessa glândula. Os corpos celulares dos neurónios que segregam ou inibem estas hormonas estão principalmente localizados nos núcleos basais mediais do hipotálamo, especificamente na zona periventricular, no núcleo arqueado e em parte, no núcleo ventromedial.


REGULAÇÃO HIPOTALÂMICA
Hipotálamo é a parte do diencéfalo relacionada ao controlo de funções viscerais, endócrinas e autónomas, e com o comportamento afetivo.
Através de evidências clinicas e experimentais, demonstrou-se que o Hipotálamo se relaciona com todas as funções e atividades viscerais.
O Hipotálamo é o principal centro subcortical de regulação de actividade simpática e parassimpática, exerce atividade sobre a regulação do sono, do metabolismo de açúcares e gorduras, regula a temperatura corporal e o balanço hídrico. Alem disto, funções complexas como as emoções e reacções afectivas estão sob controlo do Hipotálamo e suas conexões com o sistema límbico. Estes controles são contínuos durante toda a vida do indivíduo e fundamentais para a sobrevivência.
Cada resposta hipotalâmica é gerada a partir de um estímulo específico, desencadeando o padrão “estímulo-integração-resposta” que caracteriza a função hipotalâmica.

Controle simpático/parassimpático:
As regiões anteriores e medial do hipotalamo regulam a função parassimpática. O estímulo destas áreas hipotalâmicas determinam o aumento das respostas vagais e sacrais, vasodilatação periférica, aumento do tónus e da motilidade vesical e do tracto digestivo.
As regiões laterais e posteriores do hipotálamo regulam a função simpática. Quando estas áreas do hipotálamo são estimuladas, observam-se as respostas de combate ou fuga típicas da reacção simpática: piloerecção, taquicardia, vasoconstricção, sudorese, dilatação pupilar, aumento da pressão sanguínea e da frequência respiratória, e inibição dos movimentos peristálticos viscerais.


Regulação dos mecanismos da emoção:
O hipotálamo esta envolvido na expressão da raiva, temor, aversão, comportamento sexual e prazer. Os padrões da expressão e do comportamento estão sujeitos a influências do sistema límbico, e em parte, a alterações da função do sistema visceral.
Especificamente, as partes laterais do hipotálamo, parecem envolvidas com o prazer e a raiva, enquanto a porção mediana parece mais ligada à aversão, ao desprazer e à tendência ao riso (gargalhada) incontrolável.

Regulação do mecanismo do sono-vigília:
Não se conhece o mecanismo que o hipotálamo possui para regular o mecanismo do sono-vigília, no entanto, supõe-se que actua através do sistema reticular talâmico (parece que os mecanismos do sono estariam a nível do hipotálamo anterior, mas os mecanismos de vigília estariam a nível do hipotálamo posterior).
Pensa-se que o sistema reticular activador é responsável pela excitação e manutenção do estado de vigília. Os estímulos visuais e acústicos e a actividade mental podem estimular o sistema reticular de modo a manter o alerta e a atenção. Estímulos como a campainha de um despertador, luzes fortes e súbitas podem despertar a consciência. Pelo contrário, a supressão de estímulos visuais ou auditivos pode levar ao adormecimento ou ao sono.
Apesar de não existir um centro de vigília hipotalamico próprio, podem ocorrer lesões a nível do hipotálamo posterior que danificam as projecções aferentes do SRA (substância reticular activadora), levando ao coma.

Regulação cardiovascular:
Em geral, a estimulação do hipotálamo posterior ou lateral aumenta a pressão arterial e a frequência cardíaca, enquanto que a estimulação da área pré-óptica produz efeitos opostos, como diminuição da frequência cardíaca e da pressão arterial. Esses efeitos são mediados, na maior parte, pelos centros de controlo cardiovascular nas regiões reticulares da ponte e do bolbo.
O controlo autónomo do ritmo cardíaco e do fluxo sanguíneo está constantemente em acção, regulando minuto a minuto as variações na pressão sanguínea. Na artéria aorta e nas artérias carótidas, que se dirigem para o cérebro, encontram-se uma série de receptores de tensão conhecidos como barorreceptores. Estes receptores enviam mensagem para o centro autónomo na base do cérebro, informando há cerca do grau de tensão das artérias. Quando a tensão não é muito elevada a pressão sanguínea é baixa. Assim, a base do cérebro envia uma mensagem para aumentar o ritmo cardíaco e restringir o fluxo de sangue para os órgãos viscerais até que se restabeleça a pressão sanguínea normal. Por exemplo, o problema imediato que se levanta perante uma hemorragia é uma rápida queda de pressão sanguínea. Devido a uma estimulação reflexa simpática ocasionada pelos barorreceptores, o paciente sente-se frio e torna-se extremamente pálido. Flui muito pouco sangue para a pele e, proporcionalmente, torna-se disponível uma maior quantidade de sangue para os órgãos vitais, como o coração e o cérebro.
Quando a pressão sanguínea é alta, há maior pressão nas artérias, e os barorreceptores estimulam, reflexivamente, o nervo vago para que diminua o ritmo cardíaco, enquanto que a estimulação simpática dilata algumas veias e diminui a resistência à passagem de sangue.
Embora não tenham sido identificados centros anatomicamente distintos, as áreas posterolateral e dorsomedial do hipotálamo funcionam como região activadora simpática, enquanto uma área anterior funciona como região activadora parassimpatica.
Há muitas funções viscerais que estão sob o controlo do sistema autónomo. Estas funções são estimuladas pelos nervos parassimpaticos, mas inibidas pelos nervos simpáticos, por exemplo, a secreção de bílis para a vesícula biliar, o fluxo urinário e o vazar da bexiga. A estimulação simpática tem também efeitos metabólicos que tendem a aumentar a quantidade de combustível disponível para obter energia. O fígado liberta a glucose armazenada para a circulação sanguínea, as gorduras armazenadas libertam ácidos gordos e os músculos esqueléticos metabolizam o seu próprio combustível, nomeadamente a partir de reservas de glicogénio. Finalmente, os nervos autônomos são os mediadores das respostas sexuais, quer masculinos, quer femininos. Por exemplo, a erecção é uma resposta parassimpatica e a ejaculação é uma resposta simpática.


Ritmo circadiano:
Muitas funções orgânicas (como níveis de corticosteroide, consumo de oxigénio) são influênciadas ciclicamente pelas alterações da intensidade luminosa que ocorrem por rítmo circadiano (dia a dia). A via retinossupraquiasmática reage a alterações da intensidade luminosa. O próprio núcleo supraquiasmático funciona como um relógio independente, com o período de cerca de 25 horas por ciclo; as lesões nesse núcleo produzem a perda de todos os ciclos circadianos.



O HIPOTÁLAMO NA SEXUALIDADE
O hipotálamo, localizado no cérebro diretamente acima da hipófise, é conhecido por exercer controle sobre a mesma por meio de conexões neurais e substâncias semelhantes a hormônios chamados fatores desencadeadores (ou de liberação), o meio pelo qual o sistema nervoso controla o comportamento sexual via sistema endócrino. O comportamento sexual é influenciado pelo hipotálamo. Ele estimula a glândula pituitária para que esta liberte os hormônios sexuais. Quando o nível destes hormónios cai, cai também o desejo sexual. O hipotálamo secreta o factor de liberação apropriado no sangue, que alcança a pituitária e a estimula a secretar o hormónios gonadotrófico. Na mulher a glândula alvo do hormónio gonadotrófico é o ovário. O ovário tem duas funções, sendo a primeira de produzir óvulos e a outra de secretar hormónios (estrógeno e progesterona). Os hormónios ovarianos fazem loops de retroalimentação para a hipófise e desenvolvem características sexuais que distinguem homens e mulheres. No homem, a glândula alvo do hormónio gonadotrófico é o testículo. Tal como o ovário, o testículo tem um papel duplo: produção de esperma e de hormônio. Andrógenos (testosterona) são os hormônios liberados pelos testículos hormonas pituitárias estimulam a produção de hormónios testiculares que, por sua vez, regulam a produção de hormónio pituitário por feedback.

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